As Escolhas de… Américo Faria

sacrificio
(O Sacrifício, de Andrei Tarkovsky)

Ao longo do ano em que comemora 60 anos de actividade, o Cineclube de Guimarães vai perguntar a vários dos seus cineclubistas quais os filmes que mais os marcaram, vistos nas suas sessões.
Em resposta ao nosso desafio, o Américo Faria enviou-nos o seguinte TOP:

1 – Dancer in the Dark (2000), Lars von Trier

“Dancer in the Dark” foi o grande vencedor no Festival de Cannes em 2000. Arrebatou a Palma de Ouro (melhor filme) e a estreante Björk recebeu o Prémio para a Melhor Interpretação Feminina.
O filme de Lars von Trier fecha o círculo de uma trilogia que começou com “Ondas de Paixão” e continuou com “Os Idiotas”, todos eles vinculados aos critérios do manifesto Dogma 95 – que, questionando o artificialismo do cinema convencional, impõe filmar de câmara na mão e com luz natural.
O sacrifício feminino é novamente evocado mas, enquanto que no primeiro filme temos a imolação de uma mulher pelo marido, neste último a mártir é uma mãe solteira, que se sacrifica pelo filho. Em tom de melodrama musical, o filme conta a história de Selma (Björk), uma mulher de origem checa, mãe solteira, que em 1964 emigra para a América, onde arranja trabalho numa fábrica. Selma tem um segredo que vai ter de resolver e precisa de arranjar dinheiro. A realidade é trágica e Selma tenta alienar-se do mundo real e refugia-se na música, a sua grande paixão, criando cenários alegres, típicos dos grandes musicais de Hollywood…

2 – Barfly – Amor Marginal (1987), Barbet Schroeder

Baseado na obra de Charles Bukowski. Henry Chinaski é um escritor alcoólatra que inicia um romance cheio de contradições com Wanda Wilcox, outra frequentadora assídua dos bares de Los Angeles. Neste cenário, surge uma terceira pessoa que vai mudar a relação do casal.


3 – Coração Selvagem (1990), David Lynch

Sailor Ripley (Nicolas Cage), um fanático de Elvis Presley, de 23 anos, acabado de sair da prisão em liberdade condicional, e a sua dedicada namorada Lula (Laura Dem), de 20, entram pelo Sul profundo norte-americano numa fuga desesperada. Os dois tentam escapar principalmente da psicótica mãe de Lula, Marietta Pace Fortune (Diane Ladd, nomeada para o Óscar de melhor actriz secundária), que se recusa a ver a filha com o homem que anos antes a rejeitou. Mas no decorrer da viagem, os dois enamorados vão descobrindo que o mundo é um sítio perigoso… “Coração Selvagem” é a típica história de amor imaginada por Lynch (“Veludo Azul”, “Uma História Simples”, “Mulholland Drive”), que a descreveu como uma comédia violenta; um “road movie” em homenagem ao pioneiro do género, “O Feiticeiro de Oz”. O filme é a adaptação do livro de Barry Gifford, mas o resultado da fúria criativa de Lynch deixou muito pouco das ideias de Gifford. O produto final não agradou muito a americanos, mas na Europa Lynch foi distinguido com a Palma de Ouro, em Cannes.


4 – O Sacrifício (1986), Andrei Tarkovsky

Alexander, jornalista e antigo ator e filósofo, reúne a família na sua casa de campo para celebrar o seu aniversário. Entretanto, revela ao seu filho que está preocupado com a falta de espiritualidade do mundo moderno. Nessa mesma noite, começa uma guerra nuclear. Alexander vira-se para Deus e faz a promessa de sacrificar tudo o que tem se a guerra for impedida.


5 – O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela (1989), Peter Greenaway

O filme desenrola-se num restaurante francês de Londres chamado “Le Hollandais”, cujo dono, o gangster Albert Spica (Michael Gambon), se banqueteia todas as noites acompanhado da sua mulher Georgina (Helen Mirren) e de outros convivas. Cansada do seu maçador e sádico marido, a mulher acaba por aí encontrar um amante (Alan Howard) com quem tem relações sexuais nos diferentes e menos confortáveis locais do restaurante com o beneplácito do cozinheiro (Richard Bohringer). Assim que o ladrão descobre que a mulher lhe é infiel nas suas barbas, enraivecido, ordena que os seus homens obriguem o amante a engolir um livro inteiro, página por página, até à morte. Este é o prelúdio para a cruel conclusão do filme sob o signo do canibalismo. Trata-se de um filme acentuadamente artístico cuja originalidade assenta no seu assombroso visual e encenação meticulosa de ideias grotescas.

Nota: Se é sócio do Cineclube e também quer partilhar connosco a sua lista dos 5 filmes que mais o marcaram nas sessões do Cineclube, envie-nos mensagem com nome e número de sócio e um breve parágrafo a acompanhar as escolhas, se o entender.